Pentálogo XIV - "Inteligência Artificial", Semiótica e Comunicação

“Inteligência Artificial”, Semiótica e Comunicação

O Pentálogo XIV do Ciseco reflete sobre como a semiótica e a comunicação problematizam o que se convencionou nomear como “Inteligência Artificial” (IA) nas dinâmicas e  processualidades complexas da midiatização.  A proposta do debate é compreender como os signos, a linguagem e a comunicação, em suas diversas manifestações, influenciam a forma como percebemos e interpretamos o mundo. Também analisamos como essas percepções e interpretações se manifestam na construção do conhecimento e nas práticas sociais. Além disso, buscamos promover um espaço de diálogo para entender o processo de conhecimento e a natureza das ciências dos signos e da comunicação.  Para tanto, o Ciseco convidou pesquisadores e pesquisadoras da semiótica e da comunicação, bem como de áreas convergentes para, a partir de olhares singulares, promover diálogos em mesas temáticas que abordam distintas perspectivas do grande tema. Foram propostos aspectos para as transformações nos processos de produção de sentidos, nas práticas sociais, nas distintas modalidades de comunicação, nas subjetividades, no jornalismo, na política e nos modos de se fazer pesquisa.  Os debates estão sendo disponibilizados no canal do Ciseco no YouTube . Assim, a partir de seus percursos epistemológicos em diferentes abordagens pelos olhares da semiótica e da comunicação, o Ciseco, na 14ª edição do seu Pentálogo, se propôs a problematizar a “Inteligência Artificial” (IA) no contexto das sociedades em midiatização.

Mesa "Aspectos epistemológicos em torno de Inteligência Artificial, Semiótica e Comunicação"

A mesa que abre o Pentálogo XIV é composta pelos pesquisadores Rocco Mangieri e Pedro Gilberto Gomes com mediação de Antônio Fausto Neto e participação de Sérgio Dayrell Porto.

Rocco Mangieri – Atmósferas Arquitectónicas: la I.A. como agente productor de significación en ambientes de diseño compartido y expandido

Resumo: La intervención se focaliza sobre el proceso de ideación, diseño y realización del proyecto del Main Stadium Olympic Games en Beijing (2003-2008) de Herzog & Demeuron. Especialmente en relación a los modos de agenciamientos híbridos de productores de sentido entre humanos y no-humanos, sobre todo en las interacciones mediadas por la IA basadas fundamentalmente en procesos de archivo, creación reconocimiento, manipulación y transformación de patrones. Si bien estamos bastante seguros, entre otras cosas que, en la IA aplicada a los procesos de diseño. el modo de organización de la database es clave, debemos precisar que tipo de semiosis se produce a lo largo de todas las interacciones de estos sistemas semióticos híbridos Los patrones de entrada de este proyecto fueron las morfologías tejidas de los nidos de pájaros locales. Aquí expLoramos la posibilidad de hablar de procesos de biomimesis s(A. Rogers, B. Yoon ,C. Malek, 2008) junto a la creación de bioatmòsferas arquitectónicas ambientales expandidas ( Mangieri, 2023, 2024). Pedro Gilberto Gomes (Unisinos) Processos Midiáticos: transformações do discurso religioso no contexto da algoritimização A realidade da midiatização não é algo acabado, pronto, mas configura-se como um processo que está apenas nos seus primórdios. Daí porque se fala em sociedade em midiatização. A cada dia, surgem novas realidades, novos conceitos no campo da midiatização, cada um sofisticado que o outro. Nesse momento, a atenção dos pesquisadores e desenvolvedores volta-se primordialmente para a realidade do metaverso4. Saliente-se que os estudos acadêmicos sobre o assunto é uma palavra segunda sobre o assunto. A primeira está sendo dita pelo mundo empresarial que, antes da explicação teórica, desenvolve novos produtos e cria novas aplicações. Pode-se dizer que as ciências humanas e sociais aplicadas vêm depois, aplainando e disciplinando o caminho. Nesse caso, a ciência não dirige o norte da aplicação social, mas é dirigida pelos usos empresariais que determinam os produtos.

Rocco Mangieri é arquiteto, músico e semiótico pela Universidade de Bolonha (DAMS) e pela Universidade dos Andes (Estudos de Arte e Música), é bolsista do Centro de Semiótica e Linguística da Universidade de Urbino. É doutor em Ciências Sociais (Universidade Central da Venezuela) e doutor em Filologia e Semiótica (Universidade de Múrcia, Espanha). Estudou Antropologia do teatro e da dança no laboratório do Odin Theater com Eugenio Barba e Julia Varley. É diretor do Laboratório de Semiótica e Socioantropologia da Faculdade de Artes da Universidade dos Andes (Venezuela). Foi professor visitante na Universidade Nacional de Artes (Argentina); no Master of Arts in Performing Arts da Universidade de Bruxelas; na Faculdade de Artes da Universidade Nacional da Colômbia; na Universidade de Módena (Reggio Emilia); na Universidade Autônoma de Morelos (México); e no Movimento Central de Dança e Artes Performativas (Rimini, Itália). Atualmente coordena um projeto de pesquisa sobre ambientes intermediais nas artes do corpo e da performance. Atualmente realiza também uma pesquisa sobre o ritmo da cidade como professor visitante na Universidade de Roma (La Sapienza).

Pedro Gilberto Gomes – Processos Midiáticos: transformações do discurso religioso no contexto da algoritimização

Resumo: A realidade da midiatização não é algo acabado, pronto, mas configura-se como um processo que está apenas nos seus primórdios. Daí porque se fala em sociedade em midiatização. A cada dia, surgem novas realidades, novos conceitos no campo da midiatização, cada um sofisticado que o outro. Nesse momento, a atenção dos pesquisadores e desenvolvedores volta-se primordialmente para a realidade do metaverso4. Saliente-se que os estudos acadêmicos sobre o assunto é uma palavra segunda sobre o assunto. A primeira está sendo dita pelo mundo empresarial que, antes da explicação teórica, desenvolve novos produtos e cria novas aplicações. Pode-se dizer que as ciências humanas e sociais aplicadas vêm depois, aplainando e disciplinando o caminho. Nesse caso, a ciência não dirige o norte da aplicação social, mas é dirigida pelos usos empresariais que determinam os produtos.

Pedro Gilberto Gomes, sacerdote jesuíta, é Mestre e Doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP). É professor Titular e Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Escola de Indústria Criativa da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Entre suas publicações, destacam-se as obras publicadas pela Editora Unisinos: Dos meios à midiatização. Um conceito em evolução (2017); Filosofia e ética da comunicação na midiatização da sociedade (22018); e por Paulinas Editora: Midiatização. Um novo modo de ser e viver em sociedade (2016).

Mesa "Impactos da I.A no jornalismo e na circulação de imagens"

A mesa é composta pelos pesquisadores Kellyanne Carvalho Alves, Rafael de Araújo Mélo e Ana Paula da Rosa, com a mediação de Aline Weschenfelder.

Rafael de Araújo Mélo (UEPB) – Modos de presença do telejornalismo com vídeos ultrarrealistas e áudios gerados por IA

Resumo: Os vídeos ultrarrealistas produzidos a partir da I.A. apontam para os objetos sensíveis resultantes do trabalho e da experiência humana, visto que a produção do agente maquínico é inspirada nas produções audiovisuais humanas e que decorre dos prompts de comando dos agentes humanos operadores da I.A. Neste sentido, algumas ferramentas são capazes de elaborar vídeos com estética ultrarrealista e baseados nas imagens pictóricas disponíveis nas redes que encerram elementos que delineiam determinados gêneros audiovisuais. Um deles é o telejornalismo. Inúmeros telejornais começam a utilizar elementos como vídeos produzidos por I.A. para compor trechos de reportagem para os quais não dispõem de imagens, ou mesmo áudios para substituir a voz de fontes não identificadas. Neste sentido, avaliamos os conteúdos gerados por I.A. no telejornalismo a partir de uma análise dos modos de presença (apresentação, representação, irrepresentação, ultrarrepresentação) destes objetos sensíveis produzidos com a estética telejornalística, revisitando as linguagens do gênero e como eles se reconfiguram a partir desta nova prática.

Rafael de Araújo Mélo é doutorando do PPG em Estudos da Mídia (PPgEM) da UFRN. Bolsista Capes. Professor substituto do curso de Jornalismo da UEPB. Mestre em Jornalismo Profissional pelo PPJ da UFPB. Membro do GP Pragma (CNPq) e da Câmara Técnica em Saúde Digital e Comunicação em Saúde (CNS). Graduado em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo (UEPB) e Licenciatura Plena em Letras – Língua Portuguesa (UFCG). Lattes: http://lattes.cnpq.br/3774936299630071.

Ana Paula da Rosa (UFRGS) – Da Inteligência Artificial à circulação de imagens: o desafio de ver de olhos abertos

Resumo: O foco está em compreender a Inteligência Artificial como parte do processo de midiatização. Assim, nos propomos a refletir sobre a produção de sentidos sociais e, portanto, as operações de produção e reconhecimento (Verón, 2004) fruto das relações entre homem e máquina, considerando os dois como agentes ativos do processo comunicativo. Ao direcionarmos nosso olhar para as imagens midiáticas em circulação, é possível notar a presença de imagens criadas a partir da IA, o que traz para o centro do debate não somente os modos de sua produção (os prompts, os dados, a informação em códigos 0 e 1), mas novos regimes de imagens (Begueilman, 2023). Tais regimes já não se localizam em torno de referentes reais e da ação humana de elaboração, como no caso da fotografia, por exemplo, mas sim de imagens autonomizadas, produzidas sem a presença do humano. As imagens são, elas próprias, objeto, acontecimento e produtos. Diante disso, problematizamos as imagens das enchentes do Rio Grande do Sul (2024) feitas em IA como agenciadoras de circuitos interacionais que impõe um desafio ao ato de olhar.

Ana Paula da Rosa é jornalista, doutora pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). É professora e pesquisadora no Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde atua no Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) na linha de Linguagens e Tecnologias da Comunicação. É líder do grupo de pesquisa Laboratório da Circulação, Imagem e Midiatização (LACIM) e vice-presidente da Associação Nacional de Programas de Pós-graduação (COMPOS), além de membro do Conselho Consultivo do CISECO.

Kellyanne Carvalho Alves (UFPB) – Jornalismo Audiovisual e Geração de Imagens por IA: implicações na confiabilidade noticiosa

Resumo: A atividade jornalística desde sua origem tem sua produção atravessada pelas possibilidades tecnológicas presentes em cada época. Em tempos de narrativas datificadas e lógicas algorítmicas aplicadas na produção noticiosa, surgem novas desafios para o jornalístico, especialmente, com a IA generativa (IAG) ao permitir a geração de imagens em movimento sintéticas. Com os recursos oferecidos pela IA, as imagens geradas artificialmente e os processos de edição automatizados se tornam uma possibilidade nas rotinas produtivas jornalísticas. Porém, é necessário pensar quais são os benefícios e limites dessas aplicações na construção noticiosa a partir da questão da credibilidade no fazer noticioso. A manipulação do material audiovisual é uma prática antiga a partir dos inúmeros recursos de edição. Com o uso de imagens e/ou vídeos gerados pela IAG como se estabelecerá o contrato de confiança das audiências em relação à “crença da busca por retratar a verdade dos fatos” na construção da realidade social defendida pelo jornalismo audiovisual profissional? Uma implicação de uso irrefletido poderá ser um reforço da desconfiança das audiências frente à produção noticiosa fragilizando a legitimidade social do jornalismo.

Kellyanne Carvalho Alves é Vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPJ) e professora do Departamento de Comunicação – Decom, do CCTA, da Universidade Federal da Paraíba. Pesquisadora do Núcleo LAVID, do Centro de Informática, da UFPB. Líder do Grupo de Pesquisa PLIM – Políticas e Linguagens das Indústria de Mídias (CNPq/UFPB). Doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Lattes: http://lattes.cnpq.br/7531831883198430

Mesa "Implicações da I.A. na Comunicação"

A mesa é composta pelos pesquisadores Pablo Nabarrete Bastos (UFF), Fernando Firmino da Silva (UFPB), Kochav Koren (Unicamp) e mediação de Antônio Heberlê (Embrapa/Ciseco).

Pablo Nabarrete Bastos (UFF) – Plataformização e Inteligência Artificial: impactos na propaganda e na linguagem

Resumo: O imbricamento entre as estruturas e processos de plataformização e IA está remoldando o nosso tempo histórico, as disputas por hegemonia, o trabalho intelectual em comunicação, a forma social da comunicação e suas funções, por meio de sua configuração como Tecnologia de Propósito Geral (TPG) (Crafts, 2021), sistema de aparelhos e estruturas hegemônicas de mediação social. O foco central desta apresentação está nos impactos da plataformização e da IA na propaganda e na linguagem. Vamos discutir as noções de propaganda com base principalmente na Economia Política da Comunicação, suas transformações em contexto de plataformização e IA, a partir de abordagem teórica e de exemplos concretos recentes, com destaque para a batalha de propaganda resultante da aposta do governo Lula e da militância em confrontar o Congresso após a derrota sobre a proposta de aumento do IOF, no dia 17 de junho de 2025. Vamos realizar também alguns apontamentos sobre os impactos na linguagem oriundos na interação verbal entre sujeitos e máquinas, os grandes modelos de linguagem (LLMs, em inglês).

Pablo Nabarrete Bastos é Professor no Departamento de Comunicação Social e no Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense. Líder do Epocha – Grupo de Pesquisa em Economia Política da Comunicação e Hegemonia. Pesquisador com projetos de pesquisa financiado pelos editais: Programa de Apoio ao Jovem Pesquisador Fluminense com vínculo em ICTs do Estado do Rio de Janeiro da FAPERJ – 2024, Bolsista de Pós-doutorado no Exterior (PDE) do CNPq, com período na Universidade de Westminster (2024) e Bolsista de Produtividade (PQ) do CNPq Nível C, Processo 310362/2025-3. E-mail: pablobastos@id.uff.brCurrículo Latttes: http://lattes.cnpq.br/1667118409899449.

Fernando Firmino da Silva (UFPB) – Jornalismo com prompt: Desafios para jornalistas e redação com a IA Generativa

Resumo: A emergência da inteligência artificial (IA) no campo do jornalismo traz impactos imediatos nos processos de produção jornalística. A Inteligência Artificial adentra a construção de pautas, processos de edição e automação. O uso de prompts com comandos para a IA é uma realidade atual para o jornalismo, acionando os bastidores de algoritmos, máquinas de aprendizagem e Inteligência Artificial Generativa. A ideia central é realizar uma reflexão crítica dessa interface procurando compreender os potenciais e os limites, inclusive éticos, do uso da IA no jornalismo. Qual o redesenho proposto para o jornalismo baseado em Inteligência Artificial? Quais os tensionamentos da interface entre IA e jornalismo? Como a profissão jornalística é impactada por atores não-humanos e plataformas que emulam a natureza humana nos processos de apuração, edição e distribuição? O que está por trás dos comandos (prompts) da IA no jornalismo?

Fernando Firmino da Silva é doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia – UFBA. Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba. Graduação em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Estadual da Paraíba. É Professor Doutor Associado no Curso de Jornalismo da Universidade Estadual da Paraíba. Coordenador do Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Mobilidade – MOBJOR, cadastrado no CNPq. Lattes:  http://lattes.cnpq.br/1095395084173623

Kochav Koren (Unicamp) – Prompmidiatização

Resumo: Sugerimos pensar frentes complementares à discussão: 1. Ecologia dos prompts – quem formula, padroniza ou censura comandos? Com que intenção e com quais dispositivos regulatórios? 2. Economia tecnofeudal dos prompts – de que modo os prompts se tornam instrumentos de extração de valor sobre o trabalho interpretativo e a atenção dos usuários? 3. Epistemologia comparada – pensar o deslocamento da midiatização (mass media), passando pela plataformização (API economy), até a promptomidiatização (LLM como interface hermenêutica). 4. Hermenêutica crítica dos comandos – perguntar como os próprios prompts traduzem ou silenciam mundos possíveis. Ou até distanciam fronteiras preestabelecidas nos códigos que os desenham. Que gramáticas eles impõem? Quais vocabulários de sentido permitem – ou interditam? Quando caminharemos para a autonomia de nossa nação construtoras de seus próprios comandos (prompts)?

Kochav Koren é Cientista da mídia e etnógrafo em humanidades digitais. Auditor e Pesquisador Sênior de Desenho de Produtos para mineração na Vale, enquanto atua como consultor da Ernst Young desde novembro de 2022. Pesquisador colaborador da UNICAMP (IEL/2020-2022). Doutor em Estudos da Mídia (UFRN/2019). Mestre em Sociologia (UFC/2015). Bacharel em Comunicação Social (ESPM/2010). Inventor do Qualichat, software para pesquisas em Humanidades Digitais via grupos de WhatsApp, estudos de audiência que visam o combate à desinformação. Pesquisador visitante do Zentrum für Medien-, Kommunikations- und Informationsforschung (ZeKMI) da Universidade de Bremen (Alemanha/2020[2022]); e do Max Kade Center for German-American Studies da Universidade de Kansas (EE.UU./2018). Professor dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, lecionou disciplinas de Mídia, Pesquisa em Comunicação e Sociologia no Centro Universitário 7 de Setembro (UNI7/Fortaleza) de 2014 e 2022. Fundador do Ernest Manheim Lab oferece soluções de pesquisa em UX (User Experience) e Pesquisa de Opinião Pública desde 2012.

Mesa "Inteligência Artificial na Sociedade e nas Subjetividades"

A mesa é composta por Sérgio Porto (UnB), José Luiz Aidar Prado (PUC-SP) e Nina Quiroga (UNIRIO), com mediação de Marco Antônio de Oliveira Tessarotto (Fundação Roberto Marinho).

Sérgio Porto (UnB), Semiótica e inteligência artificial: o assessoramento crítico da comunicação

Resumo: Homem, máquina, linguagem e cultura, fazem lembrar a proposta de Raymond Williams, em que a comunicação é ter uma experiência única dentro de uma experiência comum. Semiótica e inteligência artificial surgem como método avançado de conhecimento do ser humano neste mundo globalizado. Desde 1948 em que foi divulgado o modelo matemático da comunicação por Shannon e Weaver, identificou-se que na transmissão de informações, em que a entropia’ sempre aumenta, havia descontrole ou desperdício de energia na interação entre emissores e receptores. E a linguagem nunca é simples, pois se utiliza de símbolos para seu funcionamento. Revela-se fraturada, na medida em que as ideias estão fora de lugar. Sem comunicação direta, os códigos e as figuras de linguagem, careciam de identificação e interpretação. Daí a importância da “semiótica” e da” hermenêutica” para sua compreensão e interpretação. A presença da ‘inteligência artificial’ enfatiza que a ‘inteligência humana’ pede ajuda a um outro tipo de inteligência, em busca de respostas mais rápidas e eficientes. O ser humano aproxima-se do homem máquina, os sentimentos e os nervos humanos e a diversidade de suas culturas, revelam que o software da inteligência artificial é fundamental na atualidade.

Sergio Dayrell Porto é professor emérito da UnB, Ph.D. em Comunicação pela Mc.Gill University, Montreal, Canadá. Pós-doc pelo CNRS – Paris, França. Co-autor com M.Mouillaud do livro “O Jornal – da forma ao sentido”. Universidade de Brasília, 2012, 3ª. Edição. Autor dois romances “A volta do Capitão Florzinha” e “Voando para o Andar de Cima”.

José Luiz Aidar Prado (PUC-SP), Economia das interações em rede no tecnofeudalismo: o papel das forças distributivas na era da digitalização

Resumo: O capitalismo comunicacional motiva as hiperconexões em rede e se apoia no neoliberalismo individualista, que faz empuxo ao gozo e à liberação das pulsões, suportando uma montagem perversa na cultura. A produção de bens que visam a satisfação dos consumidores só realiza o valor com a atuação da esfera distributiva (publicidade, marketing, armazenagem e transporte, previsão e controle de vendas). Abordaremos o funcionamento desse capitalismo a partir de dois autores: Varoufakis, para quem o capitalismo deu lugar ao tecnofeudalismo, em que comandam os senhores digitais (as GAFAM), havendo a pilhagem da esfera do comum, e em que o algoritmo nos treina para melhor treinar as IAs; e Pfeiffer, para quem a digitalização não substituiu a força de trabalho, mas permitiu que as estratégias de expansão de mercado e consumo se ampliassem, principalmente a partir das forças distributivas, voltadas à circulação e venda, levando à realização crescente do mais valor. Apesar de estar sempre voltado à produção de mais valor, o capitalismo comunicacional depende de zonas de não mercantilização canibalizadas para persistir, conforme Fraser. Nesse contexto, conforme nos diz Viveiros de Castro, as IAs são a ponta de lança de um projeto de dominação econômico-tecnológica.

José Luiz Aidar Prado é psicanalista e professor no Programa de Estudos Pós-graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). É doutor pela PUC-SP, mestre pela USP e bacharel em filosofia pela USP. Foi vice-presidente da Compós e membro do comitê de avaliação do CNPq. É autor de “Do reconhecimento ao acontecimento: o acontecimento reinventa a comunicação”, no prelo, além de “Habermas com Lacan” e “Convocações biopolíticas nos dispositivos comunicacionais”. É co-autor de “Comunicação em rede na década do ódio” e de “Sintoma e fantasia no capitalismo comunicacional”, além de organizador de duas hipermídias: “A invenção do Mesmo e do Outro na mídia semanal” e “Regimes de visibilidade em revistas”. É editor consultivo da revista GaláxiaLattes: http://lattes.cnpq.br/8833752667337994

Nina Quiroga (UNIRIO), Hiperconectividade e o medo de ficar ‘de fora’: distanciamento digital como prática de enfrentamento ao mal-estar psicopolítico

Resumo: A entrada incisiva de BigTechs no mercado da produção de comunicação na internet estabelece novas dinâmicas de sociabilidade entre usuários e plataformas digitais, que permitem a expansão vertiginosa do fenômeno do Big Data como modelo de negócio e a afirmação da inteligência artificial como novo mediador das existências e relações humanas. O sucesso deste projeto depende da hiperconectividade da população, tornada simultaneamente produtora de dados e consumidora de tais experiências mediadas. A partir da análise de material teórico e material coletado em entrevistas em um projeto de doutorado em andamento, buscamos compreender algumas implicações da hiperconectividade e suas novas formas de pertencimento digital sobre a produção social de memórias, a partir de nexos relacionais passíveis de se estabelecer com lógicas culturais disseminadas pelo atual regime neoliberal, como as performances produtivistas e a aceleração em sua produção de mal estar e de experiências de distanciamento digital.

Nina Quiroga é doutoranda no programa de pós-graduação em Memória Social na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Unirio. Mestre pelo PPGCOM –UFRJ, pesquisa, desde 2007, fenômenos sociais que têm na globalização e midiatização da experiência condições para a produção social de memória e cultura, como a difusão dos discursos xenófobos pela internet e os efeitos da hiperconectividade na constituição subjetiva e de saúde mental de indivíduos.

Mesa "Midiatização e produção de sentidos: experiências de pesquisas em equipes"

A proposta da mesa é discutir sobre distintos olhares e experiências em relação ao desenvolvimento de metodologias na pesquisa em comunicação, midiatização e semiótica na contemporaneidade, em que o termo Inteligência Artificial (IA) parece predominar não só na sociedade, mas também na produção acadêmica. A partir do relato da experiência em equipes multidisciplinares, os/as pesquisadores/as dialogam a respeito dos desafios, possibilidades e perspectivas para investigações que tratam de processualidades da midiatização e da produção de sentidos.
As equipes são integradas pelos pesquisadores e pesquisadoras argentinos Natalia Raimondo Anselmino, Francisco Javier Alomar, Emmanuel Pérez Zamora, Irene Gindin, Santiago Videla, Maria Clara Lucifora, María Victoria Chighini Arregui e os brasileiros Viviane Borelli e Eduardo Ruedell.

Natalia Raimondo Anselmino, Francisco Javier Alomar, Emmanuel Pérez Zamora e Irene Gindin (UNR) – Experiencias de aproximación computarizada para el estudio empírico de discursos sociales

Resumo: Esta presentación se propone compartir la experiencia adquirida en la incorporación de técnicas y herramientas computarizadas al proceso heurístico implicado en el estudio empírico de la puesta en discurso de fenómenos de la mediatización contemporánea. Lo compartido, de esta manera, es producto de los diversos ensayos realizados en el marco de proyectos de investigación sostenidos por equipos multidisciplinarios que tienen, como objetivo primordial, producir conocimiento sobre la dimensión significante de procesos sociales cuyas materialidades observables circulan en diferentes plataformas mediáticas. Como parte de la exposición, y además de las cuestiones técnicas involucradas, se considerarán aspectos relativos a la articulación entre diferentes niveles de observación puestos en juego, así como al rol que desempeñan los estadios abductivos, deductivos e inductivos de esta investigación.

Natalia Raimondo Anselmino es doctora en Comunicación Social por la Universidad Nacional de Rosario (UNR) e investigadora categoría Independiente del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet) de Argentina. Se desempeña como profesora titular en la Licenciatura en Comunicación Social de la UNR, y dicta cursos de posgrado en diversas universidades. Actualmente, es co-directora del Centro de Investigaciones en Mediatizaciones (CIM), donde dirige equipos interdisciplinarios de investigación en el campo de la semiótica de las mediatizaciones y de la semiodata. Es miembro de la Comisión Directiva de la Asociación Argentina de Semiótica (AAS), además de participar en comisiones académicas de carreras de grado y posgrado en el área de la comunicación. E-mail: natalia_raimondo@hotmail.com 

Francisco Javier Alomar es licenciado en Antropología por la UNR, donde se desempeñó como adscripto en la cátedra de Taller de Tesina con Orientación Etnolingüística. Actualmente cursa la Tecnicatura Universitaria en Inteligencia Artificial (FCEIA-UNR) y es miembro auxiliar de proyecto radicado en el Centro de Investigaciones en Mediatizaciones (CIM-UNR). Durante su pasantía en dicho PID aplicó herramientas de procesamiento del lenguaje natural y minería de datos al análisis de discursos mediatizados en entornos digitales. Sus líneas de trabajo articulan antropología e inteligencia artificial. E-mail: franciscojalomar@gmail.com 

Emmanuel Pérez Zamora es licenciado en Antropología y docente en las cátedras de Etnolingüística y de Taller de tesis en la Licenciatura en Antropología de la UNR. Es Diplomado en Medios y Redes en tiempos de polarización (EPyG – UNSAM Universidad Nacional de San Martin), doctorando en Comunicación Social por la UNR y becario de posgrado en Conicet. Su área de investigación gira en torno del análisis de los discursos políticos. E-mail: emmanuel.perez.zamora@gmail.com 

Irene Gindin es licenciada y doctora en Comunicación Social por la UNR e investigadora de Conicet. Sus áreas de experticia son el análisis del discurso político, y actualmente se encuentra desarrollando investigaciones en el marco de la semiodata. Se desempeña, además, como miembro del Comité Académico del Centro de Investigaciones en Mediatizaciones y del Centro de Estudios Comparados (UNR). E-mail: iregindin@gmail.com 

Santiago Videla, María Victoria Chighini Arregui e Maria Clara Lucifora (UBA) – Desafios da pesquisa qualitativa em tempos de IA: a construção de indicadores

Resumo: Este trabalho tem como objetivo descrever os processos de construção de indicadores para a avaliação de textos escritos. Faz parte de uma experiência de pesquisa desenvolvida em conjunto com equipes das Universidades de Buenos Aires, Mar del Plata (Argentina), Santa Maria (Brasil), Lublin (Polônia) e Turim (Itália). Nessas pesquisas, investigam-se vieses em produções ficcionais de IA e de seres humanos. Após a fase de coleta de entrevistas e respostas a prompts de IA, procedeu-se a uma primeira avaliação, com o intuito de gerar uma pré-codificação inicial que permitisse a todas as equipes trabalhar de maneira mais ordenada e fluida. Nessa etapa, buscou-se identificar atributos passíveis de serem incorporados a softwares de processamento de texto, visando à automatização de determinadas tarefas no futuro. Identificar a presença de motivos para o observador humano é, em alguns aspectos, evidente. Entretanto, definir esses motivos, ajustando nuances, enfrenta a dificuldade de que a escala de interações com o software pressupõe treinamento e se depara com as limitações de recursos disponíveis em projetos acadêmicos. Por essa razão, a construção de indicadores deve ser suficientemente precisa para permitir economia de tempo e de recursos financeiros. Consequentemente, serão descritos, em formato de diário de trabalho, o processo de discussão e elaboração da grade de análise, bem como os primeiros resultados obtidos.

Santiago Videla é Mestrando em Comunicação Digital Interativa pela UNR e graduado em Ciências da Comunicação pela UBA. É pesquisador do UBACyT e da UNTREF Un Nacional Tres de Febrero, dedicado à mediação das vidas musicais. É docente de Semiótica das mediações e fundador da REDINPLA, rede de pesquisadores em Plataformas. Atualmente, codirige, junto à Dra. Karolina Burno-Kaliszuk, da Uniwersytet Marii Curie-Skłodowskiej em Lublin, Polônia, um projeto colaborativo de pesquisa sobre vieses em IA. E-mail: svidela@sociales.uba.ar

María Clara Lucifora es Doctora en Letras (UNMDP, 2016), Master Mundus Crossways in European Humanities (Universidad de Santiago de Compostela, España, y University of St Andrews, Escocia, 2011) y Profesora en Letras (UNMDP, 2008). Aprobó el Posdoctorado del Centro de Estudios Avanzados de la Fac. de Cs. Sociales, UNC (2024). Es Profesora Adjunta, a cargo de la cátedra de Semiótica de las carreras Prof. y Lic. en Letras (Facultad de Humanidades) y Tec. en Periodismo Digital (Facultad de Ciencias Económicas y Sociales) de la Universidad Nacional de Mar del Plata. Investigadora del Instituto de Humanidades y Ciencias Sociales (INHUS,  CONICET-UNMDP) y del Centro de Investigación Archivos y Lenguajes (CIAL, FH-UNMDP). Directora del proyecto de investigación: “Narrativas culturales en la era digital” (UNMDP). Cofundadora de la Fundación Ariadna.  Autora de: “Dilemas semióticos de la enunciación en ChatGPT”, Tópicos del Seminario (2024, en prensa); “El impacto de la inteligencia artificial en la semiosis humana desde la teoría de Peirce”, en Actas de las IX Jornadas Peirce en Argentina (2023); “Tendencias de la semiosis maquínica en la semiosfera global contemporánea”, In Itinere. Revista digital de Estudios Humanísticos (2022); “Cooperación semiótica entre seres humanos e inteligencia artificial”, Revista Internacional de Humanidades (2021), entre otras publicaciones. E-mail: mclucifora@gmail.com

María Victoria Chighini Arregui es Profesora y doctoranda en Letras por la Universidad Nacional de Mar del Plata (UNMDP). Docente de la cátedra de Semiótica en la Facultad de Ciencias Económicas y Sociales de la UNMDP desde 2023. Es también becaria doctoral del CONICET. Integra el Grupo de Investigación “Latinoamérica: Literatura y sociedad” perteneciente al Centro de Letras Hispanoamericanas (CELEHIS) y el Instituto de Investigaciones sobre Sociedades, Territorios y Culturas (ISTEC) de la Facultad de Humanidades (UNMDP). Ha publicado artículos en revistas académicas y capítulos en libros colectivos sobre su tema de especialidad. E-mail: victoriach@outlook.com

Viviane Borelli e Eduardo Ruedell (UFSM) – Desafios da pesquisa qualitativa em tempos de IA: trabalho de campo e entrevistas

Resumo: A partir da experiência em investigação coletiva, coordenada pelo professor Santiago Videla e que trata de vieses algorítmicos e inteligência artificial, objetivo da fala é refletir e discutir sobre alguns procedimentos metodológicos realizados pelos integrantes do Grupo de Pesquisa “Comunicação Midiática e Estratégias Comunicacionais” (Cimid/UFSM/Cnpq) no curso da pesquisa. Intenciona-se detalhar algumas estratégias metodológicas desenvolvidas para a apresentação e a explicação do instrumento de pesquisa, assim como da abordagem e ângulos da investigação. Construiu-se uma espécie de diário de campo, no qual anotamos percepções, observações sobre como as pessoas interpretavam as questões, enunciações que denotavam surpresa ao perceberam que era necessário “escrever”. As estratégias de investigação foram desenvolvidas no curso da pesquisa, à medida em que foram sendo identificadas singularidades em relação ao contexto, à cultura e as diferenças individuais e geracionais entre os participantes.

Viviane Borelli é docente do Programa de Pós-graduação em Comunicação e professora associada IV do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É doutora em Ciências da Comunicação pela Unisinos, mestre e jornalista pela UFSM. Diretora do Ciseco. É bolsista de produtividade do CNPq. Coordena o projeto de pesquisa “Sociedades em midiatização: circulação, discursos e plataformas” (UFSM) através do qual desenvolve e orienta em nível de graduação e pós-graduação outras investigações relacionadas ao tema.  E-mail: viviane.borelli@ufsm.br.

Eduardo Ruedell é pesquisador e doutorando do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (POSCOM/UFSM). É mestre em Comunicação e bacharel em Comunicação Social pela UFSM. É pesquisador do Grupo de Pesquisa Comunicação Midiática e Estratégias Comunicacionais – Cimid (CNPq/UFSM), do Laboratório de Pesquisas em Comunicação Digital (UFSM), e da rede internacional de pesquisa em humanidades digitais e IA, Nordic Nerds (Suécia). E-mail: eduardo.ruedell@acad.ufsm.br.

Mesa “Inteligência Artificial, Política e Fake News”

A mesa é composta pelos pesquisadores Sandra Moura, Marco Antônio Tessarotto, Paula de Souza Paes e mediada por Aline Weschenfelder.

Sandra Moura (UFPB) – A Inteligência Artificial no fact-checking: mudanças e desafios no trabalho dos verificadores de fatos

Resumo: Aborda a adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para checagem de fatos. A Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com uma equipe de pesquisadores das áreas de computação, jornalismo e da comunicação, implantou o Alumia, Laboratório de Combate à Desinformação. Como as tecnologias de IA estão a transformar os processos e competências necessárias para a verificação de fatos é um dos objetivos deste trabalho. O estudo se concentra em dois momentos dessa experiência do Alumia. O primeiro apresenta as funcionalidades dos robôs para identificar e “diferenciar fatos de fake news”. O segundo explora os processos de trabalho dos verificadores de fato, com foco nas mudanças e desafios enfrentados pelos jornalistas, nas suas rotinas produtivas, a partir do uso das ferramentas de IA.

Sandra Regina Moura é Professora Titular da Universidade Federal da Paraíba. Docente do quadro permanente no Programa de Pós-graduação em Jornalismo, com doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2002), mestrado em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (1996), graduação em Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) pela Universidade Federal da Paraíba (1991).

Marco Antônio de Oliveira Tessarotto (Fundação Roberto Marinho) – Superfícies deslizantes da inteligência artificial: case da campanha “nós contra eles” – taxação BBB nas plataformas sociais

Resumo: A presente propositura lança movimentos interpretativos de um acontecimento em curso no momento da apresentação. O terceiro mandato do presidente Luís Inácio Lula da Silva foi marcado por intensos embates nas plataformas sociais, desde a polêmica da “taxação do PIX” e do imposto das “blusinhas” importadas, onde a extrema direita e seus representantes demonstrara performance e engajamento nas redes sem precedentes. O case/acontecimento da campanha “nós contra eles” ou da justiça tributária: “Taxação BBB – Bilionários, Bancos e Bets” produzida por Inteligência Artificial e encabeçada nas redes pelo Partido dos Trabalhadores em conjunto com perfis alinhados ao progressismo. A circulação do material representa um revés após dois anos e meio nas cordas do “ringue” das plataformas digitais. Os circuitos, ao extravasarem os algoritmos destes dispositivos enunciativos (TikTok, YouTube, Instagram), mobilizaram um editorial com mais de 6 minutos no Jornal Nacional, da Rede Globo no dia 03/07/2025. O editorial intitulado por “Campanha na internet com ataques ao Congresso provoca preocupação e apelos por moderação”, nos instiga a refletir: Moderação por parte de quem? Que operadores revelam o processo de subordinação e codependência do relato? O debate público ou algoritmo opera a estrutura? Que operadores atuam no campo do “nós” e dos “eles” nas redes?

Marco Antônio de Oliveira Tessarotto é Doutor em Ciências da Comunicação (UNISINOS), mestre em Sociologia da Mídia (UFPB), especialista em Gestão Escolar, graduado em Jornalismo (UEPB) e graduação pedagógica em Língua Portuguesa (Cruzeiro do Sul). Foi professor substituto de Jornalismo (UESPI) e atua como consultor pedagógico pela Fundação Roberto Marinho em projetos de correção de fluxo educacional. Tem pesquisas em midiatização, comunidades quilombolas, rádios comunitárias, mediação pedagógica em ferramentas digitais.

Paula de Souza Paes (UFPB) – IA e comunicação política: a preparação para as eleições de 2026 entre a lógica jornalística e a (des)intermediação digital

Resumo: O Partido Liberal (PL), a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, realizou recentemente (30/05/25) o 2º Seminário Nacional de Comunicação do PL em Fortaleza (Ceará) com a presença de jornalistas. Mas o que chamou a atenção foi a presença de executivos das próprias big techs, como a Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp) e o Google que ministraram oficinas sobre a criação de imagens e vídeos (personagens que se assemelham a pessoas reais) com o uso de inteligência artificial generativa (IAG). Ao se dirigir à plateia, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirma “Agradeço às Big Techs e toda a equipe do Partido Liberal por mais essa grande oportunidade de aprender mais” (De Sousa, 2025), buscando projetar uma imagem “high tech” do partido e de seus afiliados. Este é apenas um exemplo da aproximação entre os executivos das big techs e políticos e partidos políticos de direita no Brasil (podemos citar também a relação entre Elon Musk e Bolsonaro). Esta contribuição busca identificar os sentidos que emergem dessa aproximação ao entender que as tecnologias digitais são objeto de representações e usos (geralmente associados a melhorias e inovações) que servem aos interesses de diferentes atores. De um lado, os executivos das indústrias midiáticas reafirmam o discurso do “solucionismo tecnológico” das suas ferramentas, capazes que são de trazer soluções para diferentes problemas. De outro, os políticos (sobretudo de direita) ressignificam os mecanismos da comunicação política, atribuindo à IA um papel preponderante ao reconhecê-la como um “ator” importante para o jogo político, pois “democrática” e acessível a todos/as.

Paula de Souza Paes atua como Professora no Departamento do Jornalismo da UFPB. Desenvolveu Projetos de Pesquisa com financiamento público na área de Jornalismo (memória do jornalismo; governança da internet e plataforma digitais respectivamente). Foi contemplada também com financiamento de bolsista em Projeto de Pesquisa de Iniciação Científica PROPESQ/CGPAIC da UFPB. Foi professora visitante na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) de 2018 a 2020, quando assumiu o cargo de editora do Período Científico Âncora (Qualis B2) e a coordenação do LAJE (Laboratório de Jornalismo e Editoração). Atuou como docente na Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). Desenvolveu projeto de pós-doutoramento na UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) onde foi professora colaboradora em 2016. Doutora e mestre em Ciências da Informação e da Comunicação pela Universidade Grenoble-Alpes (França). Atuou em atividades de ensino na Universidade Grenoble-Alpes durante a realização do doutorado.

Mesa "Atravessamentos da I.A nas Práticas Sociais"

A mesa é composta pelos pesquisadores Joana Belarmino (UFPB), Gustavo Markier (UNR) e Cláudio Paiva (UFPB) com a mediação de Pedro Russi (UdelaR).

Joana Belarmino – Inclusão e Acessibilidade na era da Inteligência Artificial: Barreiras e Perspectivas

Resumo: O trabalho introduz o tema ancorado no Marco referencial da Unesco com diretrizes sobre o uso da inteligência artificial na educação, com foco na inclusão e acessibilidade, áreas principais da nossa pesquisa junto ao Programa de Pós-graduação em Jornalismo da UFPb. De princípio, faz um apanhado do estado atual do debate sobre inteligência artificial, prosseguindo com um breve panorama sobre acessibilidade e inclusão com aplicação das tecnologias tradicionais, atualizando com um apanhado dos usos atuais da inteligência artificial pelas pessoas com deficiência, esboçando as questões: Que problemas as pessoas com deficiência tentam resolver com o uso da Inteligência Artificial? Em que medida a Ia generativa “aprende” e reproduz preconceitos e-ou reproduz discursos discriminatórios em seus algoritmos? Buscando ilustrar o tema, o trabalho explora exemplos nos quais aparecem narrativas preconceituosas, de desinformação e discursos de ódio. Centrando-se no foco principal do Ciseco, a semiótica e a comunicação, a exposição retoma as concepções de “semiose” e “tradução intersemiótica” para contribuir com uma atualização desse debate, as quais foram exploradas em nosso trabalho de doutorado (2004).

Joana Belarmino de Sousa é professora titular do terceiro grau, colaboradora do Programa de Pós-graduação em Jornalismo da UFPB. Possui Doutorado em Comunicação e Semiótica (Puc-SP 2004); Mestrado em ciências Sociais e graduação em Comunicação Social (Jornalismo UFPB); pesquisadora líder do Grupo de Pesquisas em Jornalismo, Mídia, Acessibilidade e cidadania, GJAC); Pesquisas principais: Jornalismo, Ciberativismo, Percepção tátil, Semiótica.

Gustavo Markier – O impacto da IA ​​na construção de significado no ambiente turístico

Resumo: Uma perspectiva semiótica sobre as modalidades de mediação do consumo turístico. Análise de recomendações como discurso. Sua relação tipológica com instruções e listas, como parte do gênero programa. Comparação de três momentos históricos em interfaces turísticas: nas décadas de 1980, 2000 e 2020. Construção de significado em recomendações de itinerários. Predominância de significados gerados a partir de múltiplas bases de dados. Será discutido parte de uma pesquisa comparativa entre buscas realizadas em Inteligências Artificiais Generativas Genéricas e Inteligências Artificiais Específicas para Viagens. Reflexão final sobre o impacto atual de diferentes categorias de “inteligência artificial” na seleção de viagens e nas estratégias de promoção de destinos turísticos.

Gustavo Markier é Semiólogo. Doutor em Ciências Sociais (UBA) – Mestre em Design de Estratégias de Comunicação (UNR) – Bacharel em Ciências da Comunicação (UBA). Empreendedor. Cofundador e ex-CEO da Plataforma 10 (AR – BR- PY – PE) – Membro do CIM – Centro de Investigación Mediáticas (UNR) Rosário – Residente Posdoctoral (IIEAC / UNA) Buenos Aires.

Cláudio Paiva – Entrevista, Diálogo e Conversação no Podcast #Tecnopolítica

Resumo: A midiatização digital surgiu prometendo a liberdade do acesso, interação social e compartilhamento dos dados, mas forjou uma semiose social marcada pelos padrões do consumo, espetacularização e imperativo do infoentretenimento. Colateralmente, vieram o vírus, o crime virtual, a desinformação deliberada. Por essa via, os autocratas e magnatas digitais geram torpedos em massa e o caos nas redes sociais. Todavia, há positivamente blogs, portais e sites de informação que conferem sentido e credibilidade à narração dos fatos. Estes enfrentam a gramática dos algoritmos, a legiferância das big techs, a prosa caótica das redes sociais. São agenciamentos semiótico-discursivos que combatem a “dissonância cognitiva” e promovem a informação ética e verdade factual. Em meio à guerrilha midiático-cultural, uma questão se impõe: como decifrar o sentido da ‘inteligência artificial’ que rege a lógica da informação mediada pelos algoritmos? Para enfrentar a questão, observamos como o podcast Tecnopolítica (Sérgio Amadeu) apresenta uma discursividade acessível sobre temas complexos, como a I.A, Economia, Poder, Direito, Educação, Ecologia, orientada para a democratização.

Cláudio Cardoso de Paiva é Doutor em Ciências Sociais, Sorbonne; Mestre em Comunicação, UnB; Bacharel em Jornalismo, UFPB. Prof. Titular atuante no Departamento de Comunicação, UFPB. E no Programa de Pós-Graduação – Mestrado em Jornalismo Profissional, UFPB.

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